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SAÚDE

Geração fone de ouvido enfrenta risco crescente de perda auditiva, diz especialista

Mais de 1 bilhão de jovens no mundo estão em risco segundo a Organização Mundial da Saúde

Da redação
Goiânia | 18/03/2026

Médico otorrinolaringologista Gustavo Jorge | Foto: Divulgação

O som que embala a rotina de milhões de jovens pode estar cobrando um preço alto de forma silenciosa. A perda auditiva, historicamente ligada ao envelhecimento, tem surgido cada vez mais cedo e com uma causa em comum: a exposição prolongada a níveis elevados de ruído. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que mais de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos estão em risco de desenvolver problemas auditivos devido ao excesso de sons recreativos como músicas em volume alto e shows. No Brasil, números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que mais de 10 milhões de pessoas já convivem com algum grau de deficiência auditiva, o que reforça a importância de discutir prevenção ainda na juventude.

Sinais de alerta no dia a dia

Na prática clínica, esse cenário já é percebido com frequência. O médico otorrinolaringologista Gustavo Jorge, especialista em rinoplastia e implantes auditivos, relata uma mudança no perfil dos pacientes. “Estamos vendo pacientes cada vez mais jovens em consultório com perda auditiva que, antes, só esperaríamos em idosos. Isso acontece porque o ouvido interno não tem capacidade de regeneração. A exposição contínua a sons intensos vai danificando, pouco a pouco, as células sensoriais da cóclea, e esse dano é cumulativo e irreversível”, explica.

O problema costuma se instalar de forma gradual e, muitas vezes, passa despercebido. Entre os principais sinais de alerta estão o zumbido persistente, a sensação de ouvido abafado e a dificuldade de compreender conversas, principalmente em ambientes com ruído de fundo. Em crianças e adolescentes, os impactos vão além da audição e podem comprometer o desenvolvimento da linguagem, além de afetar o desempenho escolar. “Muitos pais não associam o baixo rendimento escolar à audição, mas, em vários casos, a criança não acompanha porque não consegue ouvir o professor com clareza. Isso afeta aprendizado, socialização e autoestima”, afirma o especialista.

Prevenção ainda é o melhor caminho

Outro fator de risco importante está no uso prolongado de fones com volumes acima de 85 decibéis, nível comparável ao ruído de um liquidificador. A exposição contínua a esse tipo de estímulo sonoro pode provocar lesões permanentes nas estruturas do ouvido interno. Apesar do avanço dos tratamentos, a prevenção ainda é considerada a principal estratégia para conter o problema. Reduzir o volume dos fones e evitar ambientes excessivamente barulhentos estão entre as orientações básicas.

Quando a perda auditiva já está instalada, o tratamento varia de acordo com o grau e a causa. Aparelhos auditivos convencionais costumam ser a primeira indicação, mas, em casos mais severos, o implante coclear, considerado padrão ouro, pode devolver a percepção sonora de forma eficaz. “O implante coclear é uma tecnologia avançada que transforma o som em estímulos elétricos diretamente no nervo auditivo e tem mudado a vida de muitos pacientes, mas o ideal é que a gente não precise chegar a esse ponto, e isso só é possível com conscientização e prevenção”, conclui o Gustavo Jorge.



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